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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Guarda redes Paulo Freitas | 30 anos a servir o futebol com dedicação e humildade

TEXTO: JOÃO CARLOS LOPES | FOTOS DR

“A união de um grupo supera as individualidades sem coesão”

- Dos Restauradores da Granja ao Arões SC com passagens por Vitória SC, AD Fafe e FC Vizela entre outros

- Atuou sete temporadas como guarda-redes profissional

O guarda-redes Paulo Freitas retirou-se recentemente dos relvados, devido às lesões, mas deixou para trás um legado que a maioria dos guarda-redes que terminam as suas carreiras no futebol distrital gostariam de ter. A sua atividade desportiva começou aos nove anos nos Restauradores da Granja, passou pelo Desportivo Ases de S. Jorge e terminou a formação no Vitória SC, onde esteve desde os Sub 15 até aos Sub 19, tendo sido emprestado no primeiro ano de sénior ao Torcatense. Terminou a carreira de sénior aos 39 anos, no Arões Sport Clube, entidade que representou por sete temporadas em dois ciclos. É digno de registo ter representado a A.D. Fafe, como profissional e ter passado ainda por Clubes como o Rebordosa AC, FC Vizela, FC Vaux (França) e GDU Torcatense. Atualmente este supervisor de Call Center é treinador de guarda-redes do S. Paio de Vizela que é treinado por Zezé Carvalho.

Num percurso digno de registo, onde se destacam os sete anos como profissional, fez amizades para a vida. Paulo Freitas deixou a sua marca em todos os sítios por onde passou, não só dentro, mas também fora de campo, onde teve sempre uma postura de humildade para com todos e de dignidade e respeito para com os clubes que representou. Agora, continua ligado ao desporto como técnico de guarda redes do São Paio Futebol Clube (Vizela), mas quer continuar a aprender, fazendo formações específicas, para se tornar o melhor possível e ajudar os guarda-redes a dar o melhor de si. 
Montelongo Desportivo falou com o atleta no fecho de um longo ciclo como atleta e no início de outro como treinador de guarda redes. 


Onde começou a sua atividade desportiva.

Comecei a minha atividade desportiva nos Restauradores da Granja aos 9 anos, a participar em torneios. A minha formação foi feita nos escalões de infantis durante dois anos no Ases de São Jorge e, posteriormente, completei os restantes anos de formação no Vitória de Guimarães.

E como sénior?

Enquanto sénior, joguei no Torcatense no meu primeiro ano, por empréstimo do Vitória de Guimarães. Depois, estive três épocas na A.D. Fafe. Passei ainda pelo Rebordosa AC, FC Vizela, FC Vaux (em França) e voltei ao GDU Torcatense, tendo terminado a minha carreira no Arões SC, clube onde joguei e fui capitão durante sete anos.

Houve alguém em especial, seja treinador, colega, dirigente ou simplesmente alguém ligado a algum clube que o tenha marcado para a vida?

Tenho hoje alguns dos meus melhores amigos que jogaram comigo durante vários anos nas camadas jovens do Vitória, amizades que surgiram graças ao futebol. Destaco o Luís Esteves, que atualmente trabalha com o Rui Vitória e foi meu treinador de guarda-redes, enquanto júnior no Vitória. Foi, sem dúvida, o treinador de guarda-redes que mais me influenciou e marcou. Como treinador principal, o que mais me marcou, pela sua essência e forma de pensar o futebol, foi o Zézé Carvalho.

Preferia um bom grupo a jogar no pelado ou uma equipa descaracterizada a jogar num sintético?

Claramente, prefiro um grupo mais unido, mesmo com menos condições — seja ao nível do terreno ou do balneário — do que um grupo descaracterizado, ainda que com melhores condições de trabalho. Na minha forma de ver o futebol, a união de um grupo supera as individualidades sem coesão.

Quais os momentos mais felizes da sua atividade futebolística?

Enquanto jogador de futebol, os momentos mais felizes foram, sem dúvida, enquanto júnior do Vitória, onde tínhamos um grupo fantástico, não só a nível humano, mas também de qualidade. Conseguimos fazer coisas muito boas e estivemos perto de nos tornarmos campeões nacionais.

Que clubes o marcaram mais?

Já como sénior, os clubes que mais me marcaram foram a AD Fafe, clube da minha terra, que foi um enorme prazer representar, e, por fim, o Arões, clube pelo qual aprendi a gostar e onde criei ligações muito fortes. Tive ainda a possibilidade de ser campeão regional, bem como de conquistar a Taça do Minho.

Quais foram os momentos mais tristes?

Os momentos mais tristes enquanto jogador de futebol foram, sem dúvida, as lesões. Sofri uma lesão no joelho quando representava a AD Fafe e, mais tarde, no Arões SC, tive uma lesão muito grave — a rutura total do tendão de Aquiles — e, por último, uma lesão no ligamento cruzado do joelho, que me obrigou a terminar a minha carreira futebolística mais cedo.

O que mais o caracterizava como atleta?

Enquanto atleta, o que mais me caracterizava era, sem dúvida, a minha vontade de ser melhor todos os dias, aprendendo sempre com os meus treinadores e vendo muitos jogos de futebol, especialmente de jogadores da minha posição. Destacava-se também a minha comunicação dentro de campo.

Nos últimos anos de carreira, gostava ainda de partilhar e ensinar aos mais novos aquilo que considerava pertinente, tanto no aspeto técnico como no mental.

De quer forma continua ligado ao desporto?

Enquanto recuperava da lesão no joelho e após uma fase de introspeção, decidi tirar uma formação em Gestão Desportiva, que me permite estar mais atualizado com a nova realidade do futebol e também me poderá ajudar a desempenhar funções como diretor desportivo.

Depois de estar recuperado da lesão, tive felizmente várias propostas para ser treinador de guarda-redes, das quais decidi aceitar o desafio de um ex-treinador, o Zézé Carvalho, com quem partilho uma forma de pensar o futebol semelhante, assim como valores alinhados.

Há cerca de três meses, sou treinador de guarda-redes no São Paio Futebol Clube, experiência da qual tenho gostado imenso. Procuro todos os dias crescer como treinador e estou sempre à procura de novos métodos que façam sentido para a minha visão do futebol e para o que é atualmente exigido a um guarda-redes.

Que objetivos tem no campo desportivo?

Tenho como objetivo tirar várias formações de treino específico de treinador, que me permitam continuar a evoluir e aprender todos os dias com a experiência dos meus colegas e dos próprios guarda-redes que vão surgindo, porque há sempre algo que nos pode surpreender.

O que é para si o futebol?

O futebol, para mim, é uma paixão desde a infância. Sempre tive o sonho de ser jogador profissional e tive a sorte de o concretizar durante sete anos, tendo tomado posteriormente, por decisão própria e por razões pessoais, a opção de abandonar o futebol profissional.

Que lição retira do futebol?

O futebol deu-me amizades para a vida, ensinamentos e ajudou-me a tornar-me uma melhor pessoa. Tornou-me mais forte, mais disciplinado e, acima de tudo, fez de mim o homem que sou hoje. Ao longo do meu percurso, vivi muitas alegrias e momentos que ficarão para sempre marcados na minha vida, assim como algumas tristezas que me fizeram crescer enquanto ser humano.

Só quem teve a oportunidade de viver a experiência de um balneário sabe o quão especial isso é, e o valor que esses momentos têm.


Que conselho deixa aos jogadores mais novos?

O conselho que deixo aos mais jovens é que aproveitem ao máximo o futebol, porque o tempo passa muito rápido. No entanto, mais importante ainda é manterem os valores de saber ouvir, aprender, lutar e fazer sacrifícios, pois sem isso não conseguirão singrar nem na vida nem no futebol.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Sub 13 do - OFC Antime | Rodrigo Teixeira entra para a história do Clube

TEXTO: JCL | FOTO: DR

Estreou-se a titular pela Seleção Distrital 

Rodrigo Teixeira, atleta Sub 13 do OFC Antime, está a representar a Seleção Distrital AF Braga, que participa no torneio interassociações que se realiza esta quinta feira, 2 de abril, em Ronfe, Guimarães, cuja estreia mereceu a titularidade.

O médio defensivo é o primeiro atleta masculino do OFC Antime a ser chamado a uma seleção distrital da AF Braga, entrando dessa forma para a história do clube, que tinha visto a sua ex-guarda-redes da formação do futebol feminino Maria Costa ser chamada à Seleção Distrital e Nacional e que agora representa a formação do Sporting Clube de Braga, umada das maiores referências nacional no futebol feminino. .     


 

Turismo religioso | Caminhos de Santiago também passam por Fafe

 TEXTO JOÃO CARLOS LOPES | FOTOS: DR 

Variante do Caminho de Torres faz ligação ao Caminho da Geira

Um grupo de peregrinos percorreu a Variante do Caminho de Torres aos da Geira e dos Arrieiros, um novo Caminho de Santiago que atravessa os concelhos de Felgueiras, Fafe, Vieira do Minho e Terras de Bouro, a qual se encontra já em fase de certificação.

Este trajeto faz a ligação do Caminho de Santiago de Torres, em Felgueiras, ao Caminho da Geira e dos Arrieiros, em Covide e Minhoto Ribeiro, em Terras de Bouro,  passando pelo Monte  de Santa Quitéria e a vila romana de Sendim em Felgueiras, Silvares S. Martinho  Antime, S. Gens, Moreira do Rei, Lagoa e Mós  em Fafe, Guilhofrei e Vieira do Minho e ainda S. Bento da Porta Aberta e Covide, em Terras de Bouro, onde interliga com o Caminho da Geira e Arrieiros.

Esta Variante dos Caminhos de Santiago tem uma extensão total de 75 Km, a partir de Sendim, Felgueiras, até Covide que pode ser dividido em três etapas. 

O professor Alfredo Vilela é o grande responsável por esta variante, o qual se tem dedicado de forma singular ao aprimoramento do caminho, descobrindo e acrescentando novos trilhos de montanha de forma tornar a viagem mais interessante e apelativa. Há dois fafenses, entre outras pessoas, que também se têm entregue à causa e já fizeram as três etapas. Luís Queirós Silva, dos Restauradores da Granja e Jaime Barros dos Caminheiros de Fafe, já conhecem bem esta variante dos caminhos de Santiago. 

Luís Queirós Silva aceitou fazer para Montelongo desportivo um resumo do que é possível apreciar nesta Variante que é uma mais valia para o Turismo em Fafe.

“A primeira etapa foi feita entre Felgueiras e Antime, de cerca de 12km, de dificuldade fácil e com alguns pontos interessantes como o monte de Santa Quitéria, a Vila Romana de Sendim e uma vista panorâmica a chegar a Antime”.

“A segunda etapa foi feita entre Antime a Senhora das Neves, na Lagoa, com cerca de 18 km. De dificuldade fácil a moderado, mas muito interessante. com passagem por Antime, S. Gens, Moreira do Rei e Lagoa. Um trajeto que conjuga o aspeto histórico e com o paisagístico, que se revelam ainda mais espetaculares na subida para o Lugar de Lagoa, que pertence à União de Freguesias de Moreira de Rei e Várzea Cova, Fafe”. 

“A terceira etapa foi percorrida entre Lagoa e S. Bento da Porta Aberta, numa distância de cerca de 33 km. “Uma etapa lindíssima com as paisagens vistas do Lugar do Mós para a serra do Gerês e da Cabreira. A passagem por Guilhofrei e pela sua linda igreja de S. Tiago e as margens do da Barragem do Ermal até Mosteiro, em Vieira do Minho, passando depois pelo centro da Vila e subindo para a Senhora da Fé. Uma subida dura, mas que, com moderação, se faz bem. A descida até Ventosa, depois da chegada a S. Bento, também é um pouco exigente”. 

Esta Variante está em fase de certificação e é também uma alternativa para quem faz a peregrinação a São Bento, pois é um caminho mais tranquilo e mais seguro. A etapa de 33 km pode ser dividida em duas, ficando ao critério de quem a faz.

A verdade é que, agora, Fafe também faz parte integrante dos Caminhos de Santiago, acrescentando-lhe um trajeto cheio de atividade religiosa, passando por pontos e locais míticos, levando os peregrinos a apreciar a enorme beleza das Serras de Fafe, através de Serras e veredas e se se revelam a verdadeiros miradouros naturais, permitindo alcançar muito para além do que que se consegue ver.