TEXTO: JOÃO CARLOS LOPES | FOTOS DR
Fé, determinação, percalços, proteção Divina e um homem que caiu ao rio
1.º DIA | Fafe - Lobios
A saída no dia 4 de junho junto à Câmara Municipal de Fafe coincidiu com o hastear das bandeiras naquele local, entre elas a bandeira nacional, o que reforçou ainda mais o simbolismo de uma viagem como esta. Foi uma honra ver subir a nacional e interiorizar mais um partida para a aventura, como no tempo dos descobrimentos.
O primeiro percalço ocorreu volvidos dois quilómetros da partida com o rebentar do elo de ligação de uma corrente, mas logo se fez sentir a camaradagem, o voluntarismo e acima de tudo o querer que todos chegassem ao destino. Mais três ou quatro quilómetros à frente, aconteceu o primeiro furo, que foi prontamente solucionado, por um grupo de “mecânicos” que pela destreza e rapidez pareciam saídos de um circuito de Fórmula 1.A primeira inclinação acentuada ocorreu com a subida do Confurco, com passagem pelo mítico Salto da Pedra Sentada, como se fosse levado para o destino um pouco do que mais icónico tem Fafe.
Os quilómetros foram sumindo à frente das rodas das bicicletas até ao miradouro de Guilhofrei, onde mais à frente houve o primeiro reforço, o que deu forças para os quilómetros que se sucederam até ao almoço, em S. Bento da Porta Aberta, outro dos centros religiosos da Europa.
De S. Bento a Covide foi um salto e daqui até à Mata de Albergaria e Portela do homem foi outro, apesar das muitas pedras no caminho, que obrigaram a andar com as máquinas às costas. Houve novo reforço até se atingir a meta do primeiro dia, em Lobios, localidade que serviu para pernoitar e jantar, depois de todas as burocracias exigidas pelas autoridades espanholas
| Foi neste local que o homem caiu ao rio |
2.º DIA | Lobios - Pazos de Arenteiro
| Esta foto atesta que tudo acabou bem |
3.º DIA | Pazos de Arenteiro - Santiago de Compostela
O último dia começou com uma subida astronómica, mas mais uma vez foi suavizada pelo incentivo geral e pela boa comunicação. Onde não havia outra hipótese, devido a pedras altas ou piso muito escorregadio, andava-se com a bicicleta à mão. O nível das dificuldades foi subindo, mas a vontade de superar com êxito esta viagem era superior, porque no íntimo de cada um era muito mais que andar de bicicleta, era o apego a Deus e à fé que cada um levou consigo que fazia mover e ultrapassar cada obstáculo e nem dois incidentes aparentemente mais graves demoveram os seus protagonistas de continuar. Entre subidas e descidas, algum sofrimento e muita adrenalina chegou-se Codeseda um dos poucos sítios deste caminho onde se podia comer e beber e onde a senhora do estabelecimento fez questão de tirar uma fotografia ao grupo para a posterioridade.
O cheiro a Santiago já se fazia sentir e a última paragem em Estrada serviu para acabar com o presunto e tudo o que ainda restava na carrinha.
Todos ganharam força extra para os quilómetros finais e a entrada em Santiago foi triunfal, mas para alguns as forças transformaram-se em emoção e as lágrimas percorreram-lhe a face.
Não houve espaço para souvenires porque o tempo disponível para o banho, num ginásio local, estava apertado e o local de recolha das bicicletas também ficava em contramão.
A proteção Divina
No regresso fez-se paragem na Vila mais antiga de Portugal para um jantar de encerramento. Depois foi seguir até Fafe, descarregar as bicicletas e regressar ao lar cheios de histórias para contar, de momentos que fizeram vibrar, outros de apreensão e alguma angústia, mas no fim tudo acabou bem porque a Nossa Senhora de Antime, através da linha Divina, ligou a Santiago de Compostela e ambos fizeram esforços para que os sustos não passassem disso, para que todos os problemas tivessem solução e para que os peregrinos chegassem todos bem ao destino e a casa. Foi o que realmente aconteceu. A frase "estás a jogar com a Santinha", nunca fez tanto sentido.
Agradecimentos
| José Carvalho, um motorista com pinta e de 1.ª qualidade |
- Obrigado Paulo Cruz por toda a tua dedicação no planeamento dos percursos e dormidas. És a nossa estrela.
- Em nome do ARO27 um agradecimento especial ao José Carvalho sempre presente com a carrinha para que nos mantivéssemos sempre hidratados e de barriga cheia e que nunca faltasse nada, mesmo o que era perdido pelo caminho.
- Agradecer também ao Alfredo Teixeira e a Carla Gonçalves pela comida espetacular que nos foi fornecida, estava tudo muito bom. Agradecer a Luciana Andreia pelos bolos que estavam divinais.
- Agradecer ao Ivo Teixeira pela cedência de algum material para que na falha de alguma bicicleta nos pudéssemos socorrer.
- Ao Carlos Ribeiro, obrigado por ajudares a não perder nenhuma "ovelha" do nosso "rebanho".
Os mecânicos de serviço também fizeram um trabalho exemplar, destacando-se o Carlos Ribeiro e o Armando Gonçalves, sempre presentes e sempre prestáveis.
Com gente magnífica assim fica sempre tudo muito mais fácil.













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