ENTREVISTA POR: JOÃO CARLOS LOPES | FOTOS: DR
“Será sempre o meu querido Cepanense”
- Após lesão grave foi aconselhado a parar, mas ainda jogou mais oito temporadas”Está à porta mais um Campeonato
Distrital da 1.ª Divisão, que já não contará com Rui Costa, capitão da
Sociedade de Recreio Cepanense nas últimas cinco temporadas, que deu por
terminada a carreira de futebolista aos 31 anos o que se deve a uma conjugação
de fatores, entre eles uma lesão antiga no joelho. Não era um jogador
tecnicista, mas tinha outras valências que não estão ao alcance de qualquer
atleta. Capacidade de liderança, espírito de grupo, com entregue sem limites, missão
de sacrifício e sempre inconformado com os resultados negativos porque na sua
mente há sempre motivação para lutar até ao último fôlego, Rui Costa é um caso
raro de resiliência e dedicação. Após uma lesão grave, e lhe terem dito para
não jogar mais, regressou três épocas depois e prolongou a atividade futebolística
por mais oito temporadas para criar memórias e fazer amizades para a vida. Sente
um orgulho enorme por ter ostentando a braçadeira da SRC nas últimas cinco temporadas
e só lamenta ter deixado de jogar sem uma subida de divisão pelo seu querido Cepanense.
Saiba um pouco mais deste brioso atleta que jogava a lateral direito e médio defensivo e que vai deixar saudades pela sua forma
de estar no futebol onde deixa um lindo bordado.
Comecei aos 6 anos no GD Golães nos torneios da CM Fafe.
Em que clubes fez formação?
GD Golães, AD Fafe até aos infantis, Ases de S. Jorge iniciados
e juvenis e novamente AD Fafe no Nacional de Juniores, sob as ordens de Ivo Castro.
E como sénior quem representou no futebol?
GD Silvares, ADCR Santa Cristina, GD Pardelhas e SR
Cepanense, nas últimas cinco épocas.
Quais os momentos mais felizes da sua atividade futebolística?
Tenho muitos. Nos Ases de S. Jorge quando subimos de à
divisão de Honra nos juvenis, sob comando de Mário Bi e ficamos a um ponto de
ser campeões, o que me levou a verter muitas lágrimas. Adorei muito jogar no
Fafe onde senti que era tudo muito profissional e no Pardelhas, numa temporada
pós-covide onde fizemos uma época espetacular, fizemos segundo lugar e fomos
finalistas na Taça David Peixoto. Não posso esquecer os cinco maravilhosos anos
que passei no meu querido Cepanense onde encontrei pessoas espetaculares que
seguem para a vida toda e vivi também a transição do futebol popular para o
regresso aos distritais e por fim assisti à concretização do grande sonho do
campo sintético.
E o mais triste?
A lesão da rotura do ligamento
cruzado anterior, quando representei o GD Silvares, acrescida de lesão no menisco,
o que me atirou para fora do campo durante três temporadas. Foi o único jogo
que fiz pelo Silvares e acabei por me lesionar na parte final da partida, jogada
em casa contra o Santiago de Mascotelos.
Depois de uma lesão tão grave porque resolveu voltar a jogar?
A paixão e o vício pelo futebol não me permitiram estar inativo, apesar de todos os conselhos que me deram serem de não voltar a fazê-lo sob pena de agravar a situação e ficar com lesões irrecuperáveis e permanentes. Contra todas as previsões, ainda joguei mais oito temporadas.O que mais o caracterizava como jogador?
Podia não ter muitos atributos
técnicos, mas sobrava-me atitude, raça, entrega empenho nos treinos e nos jogos,
capacidade de liderança, espírito de solidariedade e capacidade de sofrimento.
Para mim o jogo só acabava quando o árbitro apitava e entregava-me de corpo e
alma, mesmo que todos os outros colegas pensassem que já não valia a pena.
Houve alguém em especial, seja treinador, colega, dirigente ou simplesmente alguém ligado a algum clube que o tenha marcado para a vida?
Em todos os clubes que passei fiz amigos para a vida, mas
destaco um quando ainda era praticamente uma criança, o João Pedro, que foi um
grande amigo e que continua a ser. Estou-lhe eternamente grato, bem como aos
seus pais, que, naquele tempo me permitiram chegar aos treinos na AD Fafe, o
que doutra forma não era possível.
O que dizer de uma instituição centenária como é a SRC?
Um clube de gente trabalhadora, com um grande amor ao clube
e à freguesia. Dentro das possibilidades nunca deixaram que faltasse nada aos
atletas. Não descansaram enquanto não
conseguiram o campo sintético. Tem umas instalações muitos praticas e asseadas.
Preocuparam-se sempre com o bem estar
dos atletas. Uma instituição que fica no meu coração para sempre. Resumindo
será sempre o meu querido Cepanense.
O que ficou por fazer ou realizar na sua atividade desportiva?
Nunca fui muito ambicioso em chegar a este ou aquele patamar. A minha maior preocupação foi sempre dar o máximo por cada emblema e honrar e respeitar a camisola que vestia. A única coisa que me faltou foi uma subida de divisão pelo Cepanense, o que seria a cereja no topo do bolo, depois de ter sido capitão e da excelente temporada que fizemos no meu ano de despedida.Vai continuar ligado ao desporto depois de ter sido jogador de futebol?
Apesar de ter convites para continuar a jogar não ponderei
sequer a hipótese, para isso continuava onde estava e onde me sentia muito bem.
Fui também convidado para treinador adjunto por dois clubes, mas pelo que já
disse atrás declinei. No futuro, quando tiver a vida familiar mais estabilizada,
sem precisar quando isso possa acontecer, não coloco de lado a hipótese de
fazer parte de uma equipa técnica e, quem sabe até, tirar o curso de treinador
de futebol. Até lá vou ver se não perco um jogo do meu querido Cepanense.
De que vai sentir mais falta?
Do ambiente do balneário, de ter uma segunda família, como tinha na SRC, do ambiente dos jogos, dos convívios nos treinos, nos jogos e fora deles. O futebol foi para mim um mundo à parte, onde me sentia feliz e realizado.
.jpg)

.jpg)
.jpg)
%20(Copy).jpg)
.jpg)























.jpg)








