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quarta-feira, 29 de julho de 2026

Fafe Talho Team com entrada apoteótica em Fátima na peregrinação anual de bicicleta

 

TEXTO: JOÃO CARLOS LOPES | FOTOS: DR

Palmas, carinho e lágrimas na chegada 

Realizou-se no último domingo o tradicional Passeio de Cicloturismo entre Fafe e o Santuário de Fátima, realizado pela equipa do Fafe Talho Team, que levou ao altar do mundo 23 determinados cicloturistas, em mais uma jornada de fé e superação com algum sacrifício pelo meio. 

A concentração deu-se muito cedo ainda sem o raiar da aurora junto à Praça das Comunidades, onde se fizeram os primeiros cumprimentos aos camaradas de jornada e os últimos acertos e verificações no material.

A partida simbólica ocorreu na Câmara Municipal de Fafe, onde foi feito o primeiro registo fotográfico, com passagem para novo click no Fafe Talho, para depois dar corda às pernas que moveram as bicicletas até à Ponte D. Luís no Porto, mas antes foram recolhidos em andamento, mais três comparsas, em Santo Tirso

Depois do “Kodak” voltar a clicar, o destino foi a explanada junto ao quartel dos Bombeiros Voluntários da Aguda, para o pequeno almoço, sendo com essa energia que foi atingido o ponto de encontro para o almoço, onde os ciclistas eram esperados pelos familiares que se deslocaram em dois autocarros, fretados pelo Fafe Talho. O Parque da Vista Alegre, em Ílhavo, serviu para o reforço alimentar, bem regado com vários tipos de bebida e também para o reencontro com familiares, cumpridos que estavam 150 km. 

Volvido algum tempo os ciclistas regressaram à estrada para dar cumprimento à parte final do desafio, notando-se a habitual dificuldade em regressar ao ritmo antes alcançado, o que foi surgindo de forma progressiva. 

Conforme os pneus galgavam a estrada o cansaço ia-se fazendo sentir aqui e ali e em várias partes do corpo, porque são muitas horas em cima de uma bicicleta e este não é propriamente um meio de transporte confortável, mas como quem corre por gosto não cansa, o pensamento no objetivo e a fé de cada um engaram o cansaço e as dores e seguiram em frente. 

De tarde houve mais paragens porque o calor apertou e houve necessidade de hidratar mais, mas isso teve o reverso positivo da medalha, que foi conviver mais também. 

De Leiria até Fátima o trajeto é sempre menos prazeroso para o corpo, mas reconfortante para a alma porque já se vão avistando as placas com o nome da digníssima Senhora que nos move e alimenta a alma por centenas de quilómetros através da fé.

Momento da justa
homenagem a José António



Ainda houve tempo para duas paragens míticas: a primeira para degustar um fininho no “Bar
do Autocarro” (Gregorios Bar), em Leiria e um pouco mais à frente numa imagem da Senhora de Fátima num local denominado Saramago e que esteve para ser enviada para Cabora-Bassa, em Moçambique e mais tarde para o Brasil, mas por diversas razões acabou por ficar em Portugal e é um ponto de paragem na passagem dos peregrinos para Fátima. Pelo gerente do Fafe Talho, Paulo Soares, grande responsável por esta clássica e uma pessoa que reúne facilmente consenso à sua volta, foi colocada neste local, uma pequena lona em homenagem ao companheiro precocemente desaparecido, José António. Nela podia ler-se: “este ano pedalamos e viajamos com um lugar especial nos nossos corações. O José António partilhou connosco a amizade, o espírito de companheirismo e uma fé inabalável. A peregrinação a Fátima era um momento que vivia com devoção e alegria. No ano passado desejava estar novamente ao nosso lado, mas a doença impediu-o de realizar esse sonho. Hoje seguimos caminho por ele levando connosco a sua memória em cada quilómetro e em cada oração. Que Nossa Senhora de Fátima o acolha na sua paz e que o seu exemplo continue a inspirar todos os que tiveram o privilégio de o conhecer. Nunca serás esquecido. Pedalaremos sempre contigo.” Esta lona estava assinada por todos os ciclistas participantes e ainda pelo Rui Machado, também ele um elemento de grande valor, que devido a acidente doméstico na véspera da ida não pôde estar presente na estrada, mas foi de autocarro.

Os últimos 15 quilómetros, devido ao acidentado do relevo, foram feitos ao ritmo de cada um,
mas com a certeza que ninguém entrava no santuário individualmente.

Feito o reagrupamento já as portas do altar do mundo o grupo seguiu unido e foi recebido pelas 114 pessoas que seguiram em dois autocarros, abrindo um corredor, que absorveu os ciclistas que ao som de vivas e de palmas se arrepiaram, deixando escorrer alguma lágrimas, num misto de emoções que tatuam o momento no coração para toda a vida.  

Depois das orações, do banho e do jantar, após a espera para cumprir os horários dos motoristas, deu-se o regresso. 

Para o ano, com estes, ou com outros ciclistas, haverá mais se Deus quiser. 

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