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segunda-feira, 4 de março de 2019

OPINIÃO: Fafe Trail Run deu mais altitude ao Maroiço. Brutal mesmo!

TEXTO: JOÃO CARLOS LOPES / FOTOS: DR

Uma aposta ganha em todos os sentidos

Só mesmo quem participa numa corrida como aquelas que são organizadas pelo Clube de Atletismo de Fafe por ocasião do Fafe Trail Run tem a verdadeira percepção da beleza das Serranias de Fafe, nomeadamente da zona envolvente ao alto do Maroiço. 

Volvidas as centenas de metros que ladeiam a barragem, depois do pontão da mesma onde toda a gente se concentra com uma vista deslumbrante para este lago artificial, as dificuldades da prova começam a aparecer com mais de meia dúzia de quilómetros a subir até S. Miguel do Monte, passando pela povoação dessa localidade antes de entrar na encosta propriamente dita, que dá acesso ao Alto do Maroiço, onde ainda se encontra o antigo retransmissor da já extinta Rádio Clube de Fafe. Até aí as dificuldades são enormes porque a encosta é íngreme mas o esforço é compensado pelo abastecimento e pela simpatia das pessoas que se encontram nesse e noutros locais de apoio, aliás. 

Abastecimento feito os atletas lançam-se encosta abaixo com as serras da Cabreira e do Gerês como pano de fundo, fazendo um autêntico carreiro de formigas. Descem para voltar a subir algumas centenas de metros antes de descerem novamente para Luílhas e se imiscuírem naquela arquitectura rural e caminhos antigos. Daí até chegarem novamente à estrada é um ápice, onde em poucos metros entram novamente nas serranias onde se deslumbram novamente com o horizonte. Alguns abrem os braços e respiram fundo e não é motivo para menos porque estão entre o céu e a terra.

Agora a descida é em direcção a Queimadela, e desta vez com alguma sorte, pois a água que abundava noutros anos permite passar quase que com os pés secos, ainda que aqui e ali seja inevitável meter o pé na poça. 

A parte final da corrida é brutal, com os cantos e encantos da natureza, tanto de um lado como de outro da Ponte da estrada de Queimadela. Aí a água canta no rio para nos enganar o cansaço e dá-nos a força suficiente para chegar ao destino. Mas, antes disso, mais alguns momentos de beleza, com a passagem no bosque para sair perto dos espigueiros, passar na Aldeia do Pontido e virar no edifício do pisão em direcção à cascata, sempre com o Rio Vizela a cantarolar melodias primaveris ao nosso lado. 

Eu fiz os 18 km e deu para tudo.
Uma vez chegados à quota da barragem, o público que ali esperava os atletas foi dando a força necessária para que fosse cumpridos os 200 metros finais, com alegria, satisfação e alguma emoção à mistura. "Força, já falta pouco". Algumas palmas fazem vento suficiente para nos dar um pouco de energia e içamos a vela em direcção ao destino.   

A satisfação daqueles que viajaram até Fafe para fazer o trail foi fácil de constatar ao longo do mesmo, quando soltavam palavras como brutal, espectacular, lindo, espantoso, bonito, maravilhoso entre outros adjectivos que significavam a sua satisfação. A dureza do percurso é, sem dúvida alguma, diluída pela sua beleza e espectacularidade. Esta é uma corrida onde todos saem a ganhar. É espantosa a forma como se fazem amizades nestas provas e como a entreajuda e o respeito prevalecem acima de tudo. 

Está de parabéns a organização e todos aqueles que se envolveram de uma forma ou de outra para que a 4.ª edição fosse mais um enorme êxito, cada vez mais refinado capaz de atrair pessoas de todos os pontos do país deixá-las com vontade de voltar. Fafe tem outro encanto no dia do Fafe Trail Run.     
     

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